domingo, 23 de maio de 2010

Fantaisie








Hoje estava no carro voltando de viajem, o céu estava alaranjado, aquela típica paisagem de final de tarde, no interior ainda, fica lindo.

Acabei por comentar com meu pai e meus irmãos no carro.

– Olha que lindo o céu.

Todos olharam, de repente surge minha irmã com um comentário.

– Sabe por que o céu é azul? Porque Deus quis!

Foi o suficiente para todos rirmos, inclusive ela, que logo depois veio com a explicação sobre a incidência dos raios sobre os gases, e dependendo de um montão de coisa, as cores mudam. Por isso a variação de cores durante o dia.

Enfim além de achar que minha irmã é uma super nerd porque ela só tem 10 anos e já tem essas explicações cientificas que eu mesma demorei ate para me interessar sobre isso, eu percebi como mesmo sabendo das explicações lógicas, às vezes é mais mágico simplesmente não saber.

Vem-me (de novo) a citação de Clarice Lispector:
  • Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.

Creio realmente que tudo ou quase tudo, tenha uma explicação lógica, mais porque não fantasiar? Qual é o real problema? Sinto que estamos muito acostumados com a idéia de que somente devemos acreditar no que é lógico. Desde quando sonhar faz mal? Inventar coisas milaborantes, estimular um pouco nossa criatividade. Tem coisas que ficam mais bonitas quando se coloca um pouco de fantasia sobre elas.

Assistam “Peixe Grande e suas Historias”, ele exemplifica perfeitamente o que eu quero dizer.