domingo, 17 de janeiro de 2010

Amitié

Ela acaba de chegar em casa e tem em seu rosto um expressão vaga, tristeza, mágoa ou algo parecido. Ela não chora, ela não fala.

Passa pela sala, ninguém, parece perceber, ela sabe esconder bem, muito bem. A única coisa que sai de sua boca é um singelo “Oi!” para os presentes e alguns comentários mentirosos sobre aquele dia, e mais uma vez ninguém percebe. Seus passos são rápidos ate a escada, seu quarto se encontra a poucos metros agora, hoje ela quer simplesmente seu silêncio.

Entra, fecha a porta, joga suas coisas em um canto qualquer. Sua cama a espera, ela deita, agarra o travesseiro. Não é um dia comum, ela normalmente não é assim. Mais aprendeu a esconder muito bem quando seus dias são mais nublados.

Seus pés e pernas estão inquietos, mais o resto de seu corpo não se move.

Uma lagrima cai de seu rosto, o telefone toca.

Lá de baixo vem uma voz.

– Telefone para você... -ela nesse momento pensa em fingir que esta dormindo, quem ligaria agora para atrapalhar seu momento pensando, seu momento de silêncio- ... É a Maytê!


Agora aquele pensamento de antes some, ela levanta da cama, a única pessoa que ela fala em qualquer situação, ela descobriu a hora exata de ligar, não poderia se esperar menos, ela nunca havia errado, em nenhuma ocasião.
Ela limpa o rosto, conseguia esconder de todos seu dia cheio de nuvens, seria igual com ela, mais pelo menos daria risada, sempre dava. As nuvens iriam embora pelo menos por um momento em seu dia. Ela pega o telefone.

-Oi amor!

-Oi Mari... O que você tem?

Como de se esperar, ninguém melhor que ela para reconhecer pequenas diferenças em sua voz, impossível, simplesmente impossível esconder algo dela, afinal era sua melhor amiga, e não tinha ganhado esse cargo atoa.


Imagino que a historia seja auto-explicativa.

O privilegio de ter alguém ao seu lado que sabe, sabe exatamente a hora certa para tudo. Um amigo de verdade, que você vai poder contar a qualquer, qualquer mesmo, momento de sua vida, aquele irmão de alma.

Em homenagem a alguém muito especial. <3

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Les femmes et la danse

Algo interessante na dança é o papel que a mulher desempenha.

Na maioria das vezes é a guiada, a conduzida. O poder de escolha se resume a decidir se quer iniciar ou não a dança, o resto cabe ao homem.

Impressionante, que mesmo assim elas ainda se fascinam por uma boa dança de salão. Convenhamos, é lindo, é sensual.

Sou uma apaixonada por esse estilo como muitas outras. E a explicação existe e é simples.

É o cavalheiro quem conduz, e a dama que o segue. Essa parte poderia ser extremamente machista, dominadora, se não fosse por alguns aspectos extremamente relevantes.

O respeito, e como citei antes, a sensualidade, por mais incrível que pareça eles andam juntos. Vou explicar.

O homem convida a mulher a se juntar a ele, nesse momento a dama se sente especial, poderosa, ela havia chamado atenção. Em um segundo momento, os corpos são posicionados, ela vai ter em suas costas uma mão a segurando, essa mão não subirá muito, e nem descerá para onde não deve, e mais, essa mão lhe dará segurança.

Agora a dança começa, agora a mulher não se sente poderosa só para o seu parceiro, ela está poderosa aos olhos de todos os outros presentes, ela chama atenção.

Essa é a magia em dançar, a mulher se deixa conduzir apenas pelo companheiro que lhe passar segurança, que lhe mostrar respeito. E mais, durante a dança ela esta se sentindo poderosa, sensual.


quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

L'amour

Um menino na rua.

Como outro qualquer, não era tão belo, não era tão feio.

Caminhava, como todos os outros, mais aquele, justo aquele chamava atenção. Tinha o olhar perdido, os passos estavam sem rumo, e o coração incerto.

Como é fascinante o que se pode descobrir se

prestar atenção.

O moreno de cabelos enrolados, vinha em direção ao banco, era possível ate saber o que se passava em sua mente. Nada. O banco duro velho, sujo, mais não era ele que interessava, era a vista.

Ele ainda não olhava. Fechava os olhos, e por um segundo estava sozinho, não havia, nenhum barulho, se não aquele que ele queria escutar. Elas batiam nas pedras, ah como era lindo o mar, o barulho das ondas, o cantar os pássaros. Mais aquilo foi só por um segundo.

Os olhos se abrem, não era tão belo quanto o som, mais ainda assim estava bom.


Agora ele pensava em algo, desculpa por não poder dizer o que, mais eu simplesmente não sei. Alias, nem mesmo ele sabia o que passava por sua mente, mais passava.

Mais o motivo era claro, era amor.

Pronto a historia do menino acaba aqui, mentira, não acaba, mais o que interessa esta aqui, o resto vem outra hora.

É interessante como o amor não se explica, tentamos falar em companheirismo, tesão, fidelidade, e outras das mais bonitas qualidades. Isso tudo vem com o amor, mais não é, e não chega nem perto do que o amor representa, provavelmente nós humanos ainda não criamos a palavra certa, talvez seja melhor ainda, talvez não exista a palavra certa. É amor, é aquilo que nos deixa sem pensar direito, sem saber ao certo o que fazer, é aquilo que deixa o sexo ainda melhor, é aquilo que não se explica completamente.

Mais sei que são poucos os privilegiados que conseguem esse sentimento, talvez o menino seja um deles, talvez ele seja mais um que não conseguirá viver plenamente o amor, e o transformará em desejo de posse, de obediência, em ciúmes, em dor, em loucura.

Pena, isso é o que acontece com a maioria, temos o amor em mãos, o sentimos, e na maioria das vezes, fazemos com ele, o que fazemos com todo o resto. Estragamos.